Tempestade no Acre: falta de vacina, chuvas e crise migratória

Tempestade no Acre

O Acre vive a tempestade perfeita. Enfrenta a Covid-19, o Ministério da Saúde que distribui vacinas a conta gotas, pesadas chuvas nos vales dos rios Acre e Juruá que deixam debaixo d´água Cruzeiro do Sul (com 89 mil habitantes e distante 635 km de Rio Branco) e uma crise migratória.

Fechada pelo governo do Peru para evitar a entrada de brasileiros, a Ponte da União entre Assis Brasil (7,5 mil habitantes, a 345km da capital) e Iñapari (Peru), por onde passa todo o comércio rodoviário entre os dois países, cerca 200 haitianos que migram em direção ao Canadá montaram precários acampamentos e aguardam autorização para deixar o Brasil, embora a Ponte tenha previsão de reabertura apenas em setembro.

O Acre é um dos principais eixos de migração de haitianos, que nos anos anteriores foram atraídos pela economia em alta e a possibilidade de arranjar empregos em várias cidades brasileiras. “Por aqui passaram mais de 50 mil migrantes que se dispersaram pelo Brasil”, lembra Raimunda Bezerra, coordenadora do Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular do Acre.

“Eles chegaram em diáspora haitiana, quando o Brasil estava em melhor situação econômica. Agora, sem emprego e sem o auxílio emergencial, estão saindo do Brasil através do Peru. Eles planejam passar pelo Equador, onde não há controle de fronteira, chegar ao México e, de lá, partir para o Canadá. A eleição do Presidente Joe Biden nos Estados Unidos chamou a atenção deles”, explica Raimunda, que lamenta falta de atenção do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para o problema.

Chuvas e falta de vacinas agravam a crise

Segundo o jornal Folha do Acre, as chuvas que caem em Cruzeiro do Sul desde o início de fevereiro fez o rio Juruá transbordar e atingir o maior nível da história (14m36cm). No Estado, o período chuvoso vai de 8 de outubro a 26 de abril.

O governo do Acre aumentou de 60 para 106 o número de leitos de UTI em todo o Estado, mas, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, apenas cinco unidades estão disponíveis. O Acre deve entrar em bloqueio total (lockdown) nos sábados e domingos a partir na semana que vem, informou o governador Gladson Cameli ao canal de notícias CNN Brasil.

Na região do Juruá, que engloba as cidades de Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Marechal Thaumaturgo e está no epicentro das chuvas torrenciais, 25 dos 26 leitos de UTI estão ocupados, enquanto as vacinas contra COVID-19 chegam aos poucos e não através de grandes esquemas de logística, que no passado caracterizavam o sistema público brasileiro de vacinação como o melhor do mundo.

Em vez de o Ministério da Saúde distribuir imunizantes aos milhões – como fez durante décadas até erradicar doenças transmissíveis como sarampo e poliomielite -, agora as vacinas chegam em pequenos compartimentos de bagagem de helicópteros e aviões.

Nesta quarta (24), o Presidente Jair Bolsonaro visitou Rio Branco e, segundo apurou o jornal Acre 24 horas, teria levado 14 mil doses de vacina – informação não confirmada pelo Ministério da Saúde. Os mais recentes números do IBGE mostram que o Acre tem cerca de 895 mil habitantes.

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