Maior animal do planeta e em risco de extinção, Baleia Azul é ameaçada por exploração de petróleo

Salve a Baleia Azul

Muitos não sabem, mas a Baleia Azul é o maior animal que já existiu no mundo. Podendo chegar a mais de 30 metros de comprimento e 120 toneladas, as baleias azuis emitem pulsos e gemidos, e podem ouvir umas às outras a até 1.600 Km. Essas vocalizações servem não apenas para se comunicar, mas para navegar nas profundezas do oceano sem luz, por meio de sonar. Elas são fundamentais para a vida marinha e estão criticamente em perigo de extinção.

Agora, este ser tão importante para a vida no planeta corre ainda mais riscos por conta da irresponsabilidade da Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP), do Governo Federal e de outros órgãos que estão apoiando o leilão de blocos de petróleo onde esses animais vivem e se reproduzem, sem nenhum estudo dos impactos ambientais ou qualquer plano de ação no caso de um vazamento de petróleo – muito mais comum do que se imagina.

A inclusão das bacias Potiguar – que afeta diretamente as regiões de Fernando de Noronha e Atol das Rocas -, Pelotas, Campos e Santos na 17ª rodada do leilão de blocos para exploração de petróleo e gás atinge locais onde a Baleia Azul e outras dezenas de espécies em extinção têm seu lar.

Grandes mamíferos, tais como a baleia-sei, a baleia-azul, a baleia-comum e o cachalote, são espécies sensíveis à atividade sísmica. Por estarem ameaçadas de extinção e terem suas zonas de ocorrência expostas à exploração de petróleo, a ANP assume a responsabilidade de agravar ainda mais o risco de que estes seres desapareçam, definitivamente, do planeta Terra.

Os blocos propostos no pré-edital da 17ª Rodada de Concessão tem sobreposição de 89 espécies em risco de extinção, sendo eles 4 mamíferos, 10 aves, 6 répteis e 59 peixes marinhos, dentre os quais 23 são tubarões e 10 são raias.

Dar voz aos que não têm como se defender

Há anos, organizações vêm buscando defender os animais dos ataques do ser humano. Por isto, são fundamentais políticas de proteção e preservação do meio ambiente, para que espécies como esta possam sobreviver e continuar equilibrando nosso ecossistema.

O Instituto Internacional Arayara e o Observatório do Petróleo e Gás, com o apoio da Coalizão Não Fracking Brasil e do Observatório do Clima, se colocaram na linha de frente e assumiram o compromisso – que deveria ser da ANP e do Ministério do Meio Ambiente – de proteger estes santuários naturais, com a ajuda da sociedade civil e de entidades do poder público em defesa da vida.

Participamos da audiência pública sobre o leilão e levantamos todos os riscos que envolvem a atividade. Preparamos um relatório técnico sobre os impactos ambientais, sociais e legais da 17ª rodada de licitações e já entramos com ações civis públicas para pedir a exclusão dos blocos que podem afetar toda uma cadeia de vidas e áreas naturais.

Em nosso relatório observamos que tanto a posição técnica do ICMBio referente ao alto risco de inclusão da Bacia Potiguar, quanto o parecer do IBAMA, foram totalmente desconsiderados pela ANP.

A Avaliação Ambiental de Área Sedimentar foi substituída por um parecer conjunto do Ministério de Minas e Energia e do Ministério do Meio Ambiente, que deixaram a ANP à vontade para ignorar os riscos ambientais, sociais e econômicos à toda a população e biodiversidade brasileira.

O ICMBio considera que as atividades exploratórias, bem como um evento acidental, podem trazer danos irreparáveis à diversidade biológica desses ecossistemas, afetando a vida marinha e populações de aves.

“As falhas nos estudos trazem graves riscos para a natureza, podendo causar a morte de centenas de animais marinhos, como a própria Baleia Azul. O que se precisa entender é que estes animais podem ser exterminados pela completa falta de interesse da ANP, que não se preocupou em realizar um estudo mínimo sobre os impactos deste leilão, e que podem ser irreversíveis”, ressalta o diretor do Instituto Internacional Arayara e do Observatório do Petróleo e Gás, o engenheiro Juliano Bueno de Araújo.

Além do claro impacto à fauna brasileira, a insistência da ANP em promover a exploração de combustíveis fósseis, contribui para a escassez hídrica e alimentar, eventos climáticos extremos como enchentes e secas, e aumenta as doenças tropicais como consequência das mudanças climáticas provocadas pelos combustíveis fósseis.

Embora demonstre ser grande, na natureza esse mamífero não é predador e por incrível que pareça se alimenta geralmente de animais pequenos, regulando a flora e a fauna local, tornando-se essencial para a natureza.

Participe desta campanha, salve a Baleia Azul e todas as vidas ameaçadas pela exploração de combustíveis fósseis.

Saiba um pouco mais sobre a Baleia Azul

A Baleia Azul pode ser encontrada em quase todos os oceanos do mundo, com exceção do Ártico. Esses mamíferos transitam de um lugar para o outro durante o ano à procura de alimento nos terrenos tropicais para a sua reprodução.

O principal alimento desses animais, segundo especialistas, são os crustáceos, alguns mais conhecidos como Krill, parecido com camarões. Para se ter uma ideia, esses mamíferos se alimentam em média de pouco mais que duas toneladas diárias desses crustáceos. Consegue imaginar a importância deste equilíbrio dentro deste habitat?

A capacidade vida de uma baleia azul varia de 80 a 90 anos de idade, e essas espécies geralmente vivem isoladas e solitárias, raramente encontramos algum casal. O período reprodutivo ocorre durante o inverno e a primavera.

A fêmea aguarda de 2 a 3 anos durante uma gestação e outra. As fêmeas não conseguem reproduzir mais que uma cria por gestão, em contrapartida demoram de 10 a 11 meses, e somente depois de um intervalo de dois ou três anos reproduzem novamente. Os filhotes com características próprias apresentam entre sete e oito metros de comprimento e podem pesar cerca de 2500 kg.

A caça desse mamífero foi intensa, quando a partir de 1966 a Comissão Baleeira Internacional criou leis de proteção a esses animais, chegando a ser proibida toda a caça a partir da década de 70.

Não podemos mais deixar que atividades prejudiciais ao planeta e aos seres vivos continuem colocando em risco espécies tão importantes.

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